NOVO ENFOQUE SOBRE AS CAUSAS DA FIBROMIALGIA

 

Estudo do Hospital del Mar mostrou lesões em músculos de pacientes com fibromialgia

 

Esses resultados abrem a porta para um novo enfoque sobre a fibromialgia.

 

Pela primeira vez foi demonstrada uma causa orgânica para o desenvolvimento desta doença, devido à presença de atividade inflamatória e lesões musculares.

 

Os resultados do estudo foram comunicados à comunidade científica internacional. Um estudo conjunto do Serviço de Reumatologia e Pneumologia do Hospital del Mar e o grupo de investigação de miogênese, inflamação e função muscular do IMIM de Barcelona concluiu que as pessoas que sofrem de fibromialgia têm lesão muscular.

Os resultados preliminares deste estudo, financiado pelo Ministério da Saúde e Consumo, foi apresentada pela primeira vez no Congresso Anual do American College of Rheumatology. Estudos futuros e revalidações dos resultados observados sobre a relação funcional entre as lesões musculares e a doença, poderá abrir novas perspectivas terapêuticas para o combate à fibromialgia. 

Estes resultados apontam, pela primeira vez, uma causa orgânica para a doença. Foi claramente demonstrado a presença de atividade inflamatória local nas áreas afetadas. Além disso, esta atividade inflamatória foi observada sobretudo nos momentos do aparecimento ou do agravamento das crises de dor. Foram evidenciadas lesões musculares - presença de alterações estruturais e de estresse oxidativo - durante esses períodos.

 

Durante anos se buscou evidências dessa organicidade. Até agora, não tinham sido encontradas anormalidades nos tecidos analisados por biópsias, nem alterações significativas na atividade elétrica do músculo. Agora, ao contrário, graças à investigação do Hospital del Mar-IMIM, após analisados os marcadores de dano tecidual (expressões de moléculas inflamatórias, de estresse oxidativo ou de moléculas associadas à reparação muscular), verificou-se valores diferentes. Especificamente, os investigadores encontraram uma associação significativa entre o envolvimento muscular em pacientes com fibromialgia, conforme medido por indicadores de estresse oxidativo (lesão muscular), e uma baixa concentração de uma molécula inflamatória chamada TNF-alfa. O TNF-alfa, em níveis aceitáveis, auxiliam no reparo da estrutura muscular. Inversamente, os baixos níveis desta molécula podem impedir uma reparação adequada dos músculos em pacientes com fibromialgia. Assim, os baixos níveis de TNF-alfa encontrados no estudo demonstram que, para além das teorias sobre ansiedade ou humor, a fibromialgia apresenta uma consistência orgânica própria e diferenciada.

 

Fibromialgia: A dor desconhecida

A Fibromialgia afeta 3% da população em geral. É uma doença que afeta principalmente mulheres (relação mulher-homem é de 10:1, ou seja, 10 mulheres para cada homem). Observa-se principalmente entre os 20 e os 50 anos. A Fibromialgia é caracterizada por dor generalizada nos músculos e tendões, acompanhada de fadiga, e pode ser incapacitante. Outros sintomas a destacar são os distúrbios do sono, os episódios de depressão e as crises de ansiedade. O diagnóstico não é fácil: primeiro é preciso descartar uma série de doenças reumáticas e neurológicas, por outro lado, o diagnóstico pode ser ainda mais complexo, porque, até recentemente, era uma doença desconhecida por muitos dos profissionais de saúde.

 

A origem e as causas da doença ainda não estão esclarecidas e, por esse motivo, muitos profissionais pensavam até recentemente que a fibromialgia correspondia a um quadro associados a enfermidades como a depressão ou a ansiedade e não acreditavam ser uma doença orgânica.

 

Um futuro a explorar

Esta nova descoberta, se confirmada em estudos futuros como uma causa, poderia abrir novos caminhos terapêuticos no tratamento da doença, pois a presença de uma relação direta entre os níveis de TNF-alfa muscular e alteração estrutural sugere uma relação dependência entre os dois fenômenos. Houve também evidências de uma lesão muscular nas zonas dolorosas em forma de ruptura muscular e os níveis elevados dos marcadores de estresse oxidativo celular.

Os resultados preliminares deste estudo, iniciado em 2006 com subvenção do Ministério da Saúde e Consumo da Espanha, foi apresentado no mês de Outubro no congresso anual do American College of Rheumatology. A equipe responsável, no entanto, não deu o estudo por concluído e continua a analisar as amostras.

 

O Hospital del Mar e a Fibromialgia: uma realidade

Recentemente, o Hospital del Mar, em Barcelona, tem contribuído para o desenvolvimento de uma outra descoberta relacionada com a fibromialgia, o CRC-Mar vem coordenando um estudo que demonstrou que a ressonância magnética funcional pode avaliar a resposta cerebral à dor em pacientes com fibromialgia, permitindo assim, verificar quais são as áreas cerebrais que são ativadas nesses pacientes em comparação com outros sem a doença. O reforço dos conhecimentos científico e tecnológico, assim como a especialização em algumas áreas, fazem deste Centro um ponto de referência nesta e em muitas outras disciplinas.

A aposta do Hospital del Mar-IMIM na fibromialgia e o empenho de todos os recursos necessários para lidar com esta doença é clara: a implementação da unidade de referência e excelência em fibromialgia do Hospital del Mar. Esta unidade especializada em Fibromialgia e Síndrome de Fadiga Crônica, será constituída por uma equipa multidisciplinar de profissionais.

 

29 de janeiro de 2009 - Nota de Imprensa 
 

Tradução: Teresa Araujo

 

Texto original: http://www.imim.es/noticias/view.php?ID=97

 

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