POSSÍVEIS CAUSAS DA FIBROMIALGIA

DISFUNÇÃO ENDÓCRINA

 

 

 HORMÔNIOS

 

O hormônio é uma substância química específica fabricada pelo sistema endócrino ou por neurônios altamente especializados. Em sua maioria, são proteínas compostas de cadeias de aminoácidos de comprimento variável. Outros são esteróides, substâncias gordurosas derivadas do colesterol.

 

Esta substância é segregada em quantidades muito pequenas na corrente sanguínea ou em outros fluídos corporais. A sua função é exercer uma ação reguladora (indutora ou inibidora) em outros órgãos ou regiões do corpo.

 

Eles controlam o crescimento e o desenvolvimento, a reprodução e as características sexuais, a temperatura, a imunidade e o envelhecimento . Eles influenciam a maneira como o organismo utiliza e armazena a energia. Além disso, os hormônios controlam o volume de líquido e as concentrações de sal e de açúcar no sangue. Alguns hormônios afetam somente um ou dois órgãos, enquanto outros afetam todo o organismo.

 

Na fibromialgia são encontradas várias alterações hormonais, devido a uma complexa relação das diversas estruturas cerebrais. Essa disfunção endócrina parece desempenhar um papel importante na fibromialgia. O mais certo é que o centro da disfunção está no eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA), embora outros hormônios também pareçam estar envolvidos. Pesquisas mostram que os pacientes com fibromialgia têm baixos níveis dos hormônios: tiroidiano, estrogênio, testosterona, progesterona, relaxina e cortisol.

 

Os principais hormônios envolvidos com as causas da fibromialgia podem ser:

Hormônio Tiroidiano

Hormônios Sexuais

Cortisol

 

HORMÔNIO TIROIDIANO

 

Os hormônios tiroidianos são produzidos pela glândula tiróide localizada na porção baixa anterior do pescoço e são responsáveis pela regulação da energia do corpo, do crescimento, da maturação e pela velocidade do metabolismo.

 

O hormônio tireoidiano também regula a substância P em núcleos distintos do cérebro: na hipófise anterior, na região lombar da medula espinhal e no gânglio da raiz dorsal. Estudos confirmam que aumentar a disponibilidade do hormônio tireoideano diminui os níveis de substância P. De forma oposta, reduzir seus níveis aumenta a substância P.

 

Essa regulação inadequada poderia explicar não apenas os altos níveis de substância P, mas para todos os demais sintomas associados da fibromialgia.

 

As características clínicas da fibromialgia se assemelham as do hipotiroidismo (níveis de hormônios tiroidianos abaixo do normal), embora alguns pacientes tenham a função tireoidiana normal.

 

Os sintomas de hipotireoidismo podem incluir: intolerância ao frio, pele seca, constipação, letargia, lentidão psicomotora, parestesia, dor muscular, cãibras musculares, dor nas articulações, parestesias, dormência, fraqueza, edema, baixa temperatura corporal ou pele fria, transpiração diminuída, ganho de peso ou dificuldade em perder peso e redução da tolerância ao exercício.

 

Alguns pesquisadores estão avaliando a disfunção da tiróide como a causa de alguns sintomas fibromialgia e da fadiga crônica, ou talvez a sua principal causa.

 

O Dr. John C. Lowe, um dos pioneiros na pesquisa da fibromialgia, tem relatado que encontrou relações claras entre a função tireoidiana e a fibromialgia, e acredita que alguma forma de hipometabolismo, incluindo a disfunção da tiróide, podem explicar, em parte, a fibromialgia.  

 

Seus estudos mostram que a maioria dos pacientes com fibromialgia (90%) têm doença da tireóide: cerca de 12% tiveram resultados dos exames laboratoriais compatíveis com hipotireoidismo primário; cerca de 44% tiveram resultados consistentes com hipotireoidismo central e 34% têm resistência celular ao hormônio tireoidiano. Ele propõe que, na maioria dos casos, a fibromialgia é causada por disfunção da tiróide.

Hipotireoidismo Primário: É devido à falha da glândula tireóide.

 

Hipotireoidismo Central: É devido à falha da glândula hipófise ou do hipotálamo no cérebro.

 

Resistência celular ao hormônio da tireóide: É uma condição em que o organismo tem um nível normal de hormônios da tireóide, mas é incapaz de usá-lo adequadamente e requer hormônios adicionais para funcionar corretamente. Os Drs. Joseph Pizzorno e Michael Murray afirmam que a resistência celular ao hormônio da tireóide provoca perturbações no mecanismo que aumenta a liberação da substância P e no mecanismo que altera a síntese e a secreção da noradrenalina. Isso pode provocar duas das principais características da fibromialgia: a dor generalizada crônica e a sensibilidade anormal.

 

HORMÔNIOS SEXUAIS

 

O fato de a fibromialgia ser mais frequente em mulheres sugere que os hormônios sexuais possam ter um papel importante na causa da doença. As mulheres com fibromialgia parecem ter a gravidade dos seus sintomas aumentado durante o pré-menstrual e durante a menstruação. Além disso, os sintomas de pacientes com fibromialgia muitas vezes aparecem ou são agravados durante a menopausa. Outra observação interessante é que muitas pacientes relatam a remissão de seus sintomas enquanto estavam grávidas, e o retorno deles entre um e dois meses após o parto.

 

Estrogênio: Devido ao fato de que a fibromialgia é mais comum em mulheres do que em homens, alguns pesquisadores sugerem que o hormônio estrogênio está envolvido nas causas da fibromialgia. Estudos recentes têm demonstrado níveis elevados de substância P no cérebro de pacientes com fibromialgia e essas concentrações parecem ser moduladas por esteróides ovarianos. Além disso, os hormônios esteróides ovarianos podem afetar a função do sistema de serotonina. No entanto, pouca correlação com a fibromailgia foi descoberta.

 

Relaxina: É um hormônio que durante a gravidez tem sua produção aumentada dez vezes. É um polipeptídeo muito semelhante à insulina e é secretado nos ovários femininos ou nos túbulos seminais masculinos.

Embora muito se saiba sobre a produção natural de relaxina em funções relacionadas com a gravidez, até recentemente pouco se sabia sobre seus efeitos nos tecidos de não grávidas.

Estudos indicaram que a relaxina secretada é mensurável na corrente sanguínea feminina aproximadamente no meio do ciclo menstrual, ou cerca de sete a dez dias após a ovulação.

Nos homens, o nível de relaxina no sangue é extremamente baixo e difícil medir com os métodos atuais. No entanto, seu nível é mensurável no líquido seminal onde ele pode chegar a cerca de 200 nanogramas por ejaculação no homem normal.

O papel da relaxina: Ela tem uma variada gama de efeitos, incluindo a produção e remodelação do colágeno e o aumento da elasticidade e do relaxamento dos músculos, tendões e ligamentos durante a gestação, principalmente na pelve. Esse hormônio é responsável pela remodelação da região pélvica, em preparação para a descida do feto.

 

A relaxina no ciclo reprodutivo: Durante a gravidez, o pico de relaxina se dá na décima semana e se mantém estável até o final da gravidez. Ela remodela o trato reprodutivo, incluindo o amadurecimento do colo do útero, o espessamento do endométrio, o aumento da vascularização uterina e a síntese de colágeno para alongar e relaxar os ligamentos e os tecidos conectivos. Pacientes que têm fibromialgia relataram remissão de seus sintomas quando grávidas, e parece haver uma correlação direta entre o aumento do nível de relaxina durante a gravidez e a remissão dos sintomas. Também foi observado que o fenômeno de Raynaud desapareceu completamente durante a gravidez.

 

Teoria sobre a relação da Relaxina no desenvolvimento da fibromialgia: O autor deste estudo (Dr. Samuel Yue) postula que a gênese da fibromialgia está relacionada à deficiência sistêmica do hormônio relaxina, ou a incapacidade do organismo em utilizar o hormônio existente.

A liberação da relaxina é necessária para manter a integridade do colágeno e dos tecidos conjuntivos do corpo. O efeito direto é a estimulação dos receptores para produzir a função desejada, e o efeito indireto resulta em colágeno elástico e flexível através da remodelação do colágeno. Esses efeitos combinados podem ser notados em: músculos estriados, músculos lisos, sistema nervoso central, sistema nervoso autônomo, tecidos conjuntivos (pele, ligamentos, tendões e cartilagens) e músculos cardíacos e, portanto, afeta o paciente como um todo.

Todos os sintomas da fibromialgia podem ser explicados pela ausência do efeito desse hormônio sobre essas seis áreas. Portanto, o autor postula que a restauração dos níveis normais desse hormônio em pacientes com fibromialgia, através da suplementação diária de relaxina, irá eliminar todos os sintomas da fibromialgia.

Ele afirma que a falta de relaxina é a patogênese da fibromialgia.

 

A droga relaxina: Na forma animal ela foi usada nos anos 1950 e 1960 como um agente para o amadurecimento do colo do útero e no tratamento da esclerodermia e da doença vascular periférica. A forma humana de relaxina é elaborada sinteticamante pela Connetics Corporation, em Palo Alto, Califórnia, como uma droga experimental no tratamento da esclerodermia.

O estudo piloto sobre o uso de relaxina humana no tratamento da fibromialgia, conduzidos pelo Dr. Yue, é inconclusivo e um novo estudo mais abrangente irá determinar se relaxina é eficaz na redução dos sintomas do paciente e sintomas relacionados à fibromialgia.

 

Artigo original completo.

 

CORTISOL

 

Eixo hipotálamo-pituitária-adrenal – HPA: Composto pelas glândulas supra-renais, hipófise e hipotálamo é um complexo conjunto de interações que ajudam o corpo a controlar o estresse e regular uma série de funções corporais, incluindo a temperatura, a digestão, o sistema imunológico e a energia corporal. É também ligado ao transtorno de ansiedade, depressão e síndrome do intestino irritável.

 

Pesquisas mostram que o eixo HPA é menos ativo em pacientes com fibromialgia e fadiga crônica do que em pessoas saudáveis, resultando em baixa quantidade de hormônio adrenal excretado. Isso pode dificultar que elas lidem bem com o estresse, tanto físico (como infecção ou esforço) como psicológico.

 

Cortisol: Secretado pelas supra-renais, é o principal hormônio do stress. O cérebro estimula o seu lançamento no sangue em resposta ao estresse físico ou emocional. Ele ajuda o corpo regular a pressão arterial e os níveis de açúcar no sangue. Também é antiinflamatório, antialérgico e reduz a ação do sistema imunológico.

 

A deficiência de cortisol produz sintomas semelhantes ao da fibromialgia: fadiga, fraqueza, dor muscular, desconforto abdominal, problemas cognitivos, variações de humor e distúrbios do sono.

 

Outro estudo encontrou níveis significativamente mais baixos de DHEA-S, outro hormônio adrenal, em pacientes com fibromialgia, em comparação com indivíduos saudáveis.

 

Não está clara a importância da deficiência de cortisol no início ou no curso de fibromialgia. Em alguns dos estudos os pacientes não melhoraram com a reposição através de medicamentos corticosteróides.

 

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