POSSÍVEIS CAUSAS DA FIBROMIALGIA

ACÚMULO DE FOSFATO DE CÁLCIO

 

 

Essa teoria foi proposta na década de 1990, pelo Dr. R. Paul St. Amand, quando ele observou que os pacientes com fibromialgia apresentavam um aumento de tártaro nos dentes sob a forma de fosfato de cálcio.

 

A teoria postula que a fibromialgia pode ser um distúrbio de retenção de fosfato de cálcio, que se acumula gradualmente nas células, mas que pode ser acelerado por trauma ou doença. Esse fosfato adicional retarda o processo de ATP, provoca a retenção de cálcio que estimula a ação da célula e pode causar nódulos palpáveis no tecido muscular, tendões e ligamentos. Esses nódulos podem ser sentidos por um método de palpação desenvolvido pelo Dr. St. Amand chamado “mapeamento”.

 

O acúmulo de fosfato pode ser causado por uma disfunção renal ou por uma deficiência de enzima, que impede sua remoção da corrente sanguínea. A função renal diminuída interrompe o ciclo de Krebs pelo qual o organismo se livra dos resíduos, induz as mitocôndrias a produzirem menos ATP e deixa as pessoas cronicamente fatigadas.

 

O tratamento, proposto pelo Dr. St. Amand, foi descoberto por acaso quando ele observou que as drogas para o combate da gota aliviaram também os sintomas da fibromialgia. Ele o chamou de “Protocolo Guaifenesina”:

Guaifenesina é um expectorante suavemente uricosúrico (que aumenta a eliminação do ácido úrico pela urina), mas ao contrário do padrão dessas drogas quase não apresenta efeito colateral.

 

Segundo o protocolo, a droga estimula os rins a eliminar os fosfatos acumulados nos tecidos e células e leva a uma reversão dos sintomas. Estima-se que um ou dois meses de tratamento reverta um ano de fibromialgia.

 

A guaifenesina administrada deve ser pura (não misturada a outras medicações). A dose inicial é de 300 mg duas vezes ao dia e a dosagem final é determinada aumentando-se lentamente a dose até que um agravamento dos sintomas seja observado e ocorra uma diminuição dos nódulos palpáveis dos músculos.

 

Deve-se evitar todas as fontes de salicilatos (ácido salicílico) que impedem a ação da guaifenesina nos rins. Ele pode ser encontrado em:

Medicamentos para dor como a aspirina.

Medicamentos tópicos para dor como o salompas.

Remédios estomacais como o Alka Seltzer.

Medicamentos naturais como erva de São João, ginseng, alfafa, flavonóides, etc.

Produtos e cosméticos que tenham aloe vera, cânfora, menta, lavanda, extratos de plantas, semente de uva, óleos de amêndoa, de rícino ou de mamona, etc.

Pessoas hipoglicêmicas devem evitar açúcares simples, cafeína, alimentos ricos em amido e quaisquer outros alimentos que causem picos de insulina.

 

No decorrer do tratamento, a regressão dos sintomas começa a ocorrer, e os ciclos de dias bons e maus tendem a se inverter ("ciclismo de sintomas"). Os pacientes relatam ter mais energia e menos sintomas e o intervalo entre as crises se torna maior. Quando os sintomas desaparecerem, pode ser necessário um regime de manutenção da droga, para evitar um novo acúmulo de fosfatos.

O tratamento com guaifenesina, com base nessa teoria, recebeu críticas opostas, com alguns médicos apontando resultados extremamente positivos e outros relatando insucesso. Porém, não há evidência clínica de que a teoria esteja correta, ou que o Protocolo Guaifenesina seja eficaz.

 

Numerosos estudos, incluindo os de Muhammad Yunus, da University of Illinois College of Medicine, nunca revelaram ou mesmo insinuaram a existência de depósitos de fosfato de cálcio na fibromialgia. Em 1993, o estudo do pesquisador Robert Simms, da Universidade de Boston, não encontrou sinais desses cristais.

 

Apenas um ensaio clínico controlado, para avaliar a validade do Protocolo Guaifenesina, foi conduzido e não mostrou evidência de sua eficácia. Em 1996, o Dr. Robert Bennett, apresentou os resultados desse estudo no Colégio Americano de Reumatologia, em Orlando:

Os níveis de ácido úrico e fosfato, encontrados no sangue e urina dos avaliados estavam todos dentro do normal e nenhuma mudança foi observada ao longo do tratamento com guaifenesina.

 

O alegado "ciclismo de sintomas" não foi observado neste estudo.

 

O tratamento com guaifenesina não aumentou a excreção do ácido úrico ou do fosfato.

 

Este estudo foi criticado por não limitar a exposição ao ácido salicílico e por estudar apenas a eficácia da guaifenesina e não o método de tratamento inteiro. O Dr. Robert Bennett rebate que, se algum paciente estivesse tomando indevidamente pequenas quantidades de salicilatos, por qualquer método, deveria ter havido uma redução significativa da excreção urinária e uma elevação dos níveis séricos de ácido úrico, mas isso não foi observado.

 

 

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