POSSÍVEIS CAUSAS DA FIBROMIALGIA

INFECÇÕES VIRAIS OU BACTERIANAS

 

INFECÇÕES E FIBROMIALGIA

 

Apesar de diversas pesquisas realizadas sobre esse tema, ainda não foi possível estabelecer uma clara relação de causa-efeito entre os processos infecciosos e a fibromialgia.

 

Segundo o Dr. Gordon Pedersen, a teoria é que uma infecção possa levar o sistema imunológico a reagir de forma anormal, provocando resposta auto-imune e atacando os tecidos sadios. Sucessivos eventos podem contribuir para enfraquecer o organismo e danificar a função imunológica, até que o corpo não possa mais suprimir os sintomas da fibromialgia.

 

 

INFECÇÕES VIRAIS

 

A infecção viral crônica tem sido frequentemente apontada como uma possível causa da fibromialgia em pessoas sensíveis, muito embora as muitas pesquisas realizadas neste campo falhem em encontrar uma associação inequívoca.

 

Muitas são as premissas que justificam tal interesse:

As manifestações clínicas comuns compartilhadas pelos pacientes fibromiálgicos e pelos pacientes com infecções virais.

 

Os estudos em animais, que sugerem a sensibilização do sistema nervoso central na exposição a toxinas e na presença de infecções virais.

 

Estudos que avaliaram a prevalência da fibromialgia em condições infecciosas específicas e a soroprevalência de algumas infecções virais crônicas nesses pacientes.

Vírus Epstein-Barr (EB): Causa infecções agudas (mononucleose infecciosa), crônicas (mononucleose crônica) ou neoplasias (linfoma de Burkitt e carcinoma nasofaríngeo).  A infecção crônica clinicamente se apresenta com fadiga, mialgias, artralgias, cefaléias recorrentes e distúrbios do sono, similares àquelas observadas na fibromialgia, além de dor de garganta, adenopatia, febre baixa, tosse crônica e história de alergias. 

Os primeiros estudos sobre infecções virais se concentraram no vírus Epstein-Barr já que os sintomas da fibromialgia e da fadiga crônica são similares aos da infecção por este vírus.

 

Os estudos de D. Buchwald, em 1987 e de C. Whelton, I. Salit e H. Moldofsky em 1993, não encontraram diferenças estatísticas para o vírus entre o grupo de pacientes com síndrome da fadiga crônica ou fibromialgia e o grupo de controle.

 

Já em 1992, no Brasil, D. Feldman descreveu a presença de alta taxas de anticorpos para o vírus EB em 50% dos pacientes fibromiálgicos, sugerindo uma possível associação entre a infecção crônica pelo vírus e a fibromialgia.

Vírus da hepatite C (VCH)

Em 1996, M. Wener chamou a atenção para o grande espectro de manifestações reumáticas associadas à infecção crônica pelo vírus da hepatite C. No mesmo ano, M. Lovy descreveu manifestações reumáticas em pacientes infectados pelo VCH. A fibromialgia foi diagnosticada em 31% desses pacientes.

 

Em 1997, J. Rivera conclui que a infecção crônica pelo VCH deve ser sempre considerada nos pacientes com fibromialgia.

 

Em artigo nacional recente, M. Loureiro, E. Belloto e R. Christmann detectaram fibromialgia em 23% das mulheres infectadas pelo VCH.

Enterovírus: São reconhecidos como importantes causadores de infecções e são particularmente representados pelo vírus da Poliomielite.

Um estudo francês de 2003 encontrou material genético do enterovírus em 20% das biópsias musculares de pacientes com doenças musculares inflamatórias crônicas e em 13% das de pacientes com fibromialgia e síndrome da fadiga crônica, mas não em voluntários saudáveis. Esse achado sugere que alguns casos de fibromialgia e fadiga crônica podem estar relacionados à infecção por enterovírus persistente nos músculos.

 

O Dr. Bruno Pozzetto, do Hospital do Centro Universitário de Saint-Etienne na França, diz que esses resultados apontam que a causa dessas condições possa ser, em alguns casos, uma infecção persistente que envolve a replicação viral. O pesquisador explica que esse tipo de infecção no coração é possivelmente responsável pelo seu alargamento; nas células do pâncreas como provavelmente ligada à diabete juvenil; e no sistema nervoso central como associada à síndrome que aflige o envelhecimento dos sobreviventes de poliomielite. Ele observou que o chamado vírus Coxsackie B parece desempenhar um papel chave em infecções musculares persistentes.

 

INFECÇÕES BACTERIANAS

 

Micoplasma: É a denominação de um grupo de bactérias pequenas que não possuem paredes celulares e por este motivo não apresentam forma definida. Estão documentadas catorze espécies de micoplasmas que têm o homem como seu hospedeiro. Elas são responsáveis por doenças como a artrite reumatóide, inflamações alérgicas, pneumonia atípica e outras doenças, e estuda-se uma possível ligação entre estes organismos e certas doenças relacionadas com o sistema imunitário, como diabetes, esclerose múltipla e fibromialgia, entre outras.

Principais tipos de micoplasmas:

Pneumoniae: Ela coloniza o aparelho respiratório humano. Pensa-se que ela pode estar irelacionada com doenças reumáticas como a artrite e a febre reumática, tendo sido identificada em 20 a 30% dos pacientes com fibromialgia ou fadiga crônica.

 

Fermentans: Está relacionada com a atividade sexual, mas tem sido encontrado também no aparelho respiratório de crianças com pneumonia, no líquido sinovial, na medula óssea de doentes com leucemia e no líquido amniótico. É encontrada em aproximadamente 26% dos casos de fibromialgia e em 40 a 50% dos indivíduos com fadiga crônica.

 

Hominis: Comumente identificada no trato uro-genital, principalmente das mulheres.

 

Penetrans: É mais frequente na população homossexual e apresenta uma elevada prevalência nos indivíduos soropositivos para HIV7, sendo responsável por uma ativação crônica do sistema imunológico. Esta espécie é a que parece estar mais relacionada com a infecção pelo HIV, tendo também sido associada à fibromialgia, fadiga crônica e síndrome da guerra do Golfo.

Em 1999, M. Nasralla e outros pesquisadores, publicaram um estudo que aponta as diferentes espécies de micoplasmas presentes no sangue de pacientes com fibromialgia ou fadiga crônica:

Pneumoniae: 60%

 

Fermentans: 48%

 

Hominis: 30%

 

Penetran: 20%

 

Múltiplas infecções por micoplasmas foram encontrados em quase 53% pacientes (31% com infecção dupla e 22% com tripla). Os pacientes infectados com mais de uma espécie de micoplasmas geralmente tinham um longo histórico de doença, sugerindo que eles podem ter contraído outras infecções por micoplasmas no decorrer da fibromialgia.

Segundo J. Nicholson, (1995) foram encontradas infecções por micoplasma em um grupo bastante grande de pacientes com fibromialgia e fadiga crônica. Ele sugere que o tratamento adequado com antibióticos deve resultar em melhoria e até mesmo em recuperação. Al Robert Franco, do Centro de Artrite de Riverside, confirma esses achados.

 

Em 2000, o Prof. Garth Nicolson descobriu que 70% dos pacientes com fibromialgia, 60% dos com fadiga crônica, 50% dos com artrite reumatóide e 9% dos grupos de controle tinham infecções por micoplasmas, o que poderia explicar muitos dos seus sintomas crônicos.

 

Na mesma linha, em 2003, K. M. Endresen Gerhard do departamento de reumatologia, do Hospital Nacional da Universidade de Oslo, realizou estudo que detectou infecção por micoplasma em cerca de 50% desses pacientes e em cerca de apenas 10% dos indivíduos saudáveis. A maioria desses pacientes parecem se recuperar após o tratamento de longo prazo com o antibiótico doxiciclina. Estudos de 2000 do Dr. Charles Engel, do US National Institute of Health em Maryland, apontam na mesma direção.

 

Porém, não está claro se as bactérias micoplasmas seriam causa, cofator, ou apenas uma infecção oportunista em pacientes com distúrbios imunes.

Bactéria Borrelia Burgdorferi: É transmitida por carrapatos e causa a doença de Lyme.

Quando a doença de Lyme se torna crônica é chamada de Síndrome pós-Lyme e os sintomas são muito semelhantes aos da fibromialgia ou da fadiga crônica. Segundo pesquisas, de 30 a 50% dos pacientes com doença de Lyme aguda evoluem para a forma crônica. Além disso, alguns pacientes previamente assintomáticos podem reativar a infecção através de estressores, tais como trauma, cirurgia, gravidez, doenças coexistentes, tratamento de antibióticos, ou estresse psicológico grave.

 

Um estudo recente sugere que mais de 75% dos pacientes diagnosticados com fibromialgia também têm a doença de Lyme.

 

Na Universidade George Washington, os cientistas estão investigando a síndrome pós-Lyme como causa da fibromialgia. Alguns pacientes desenvolvem uma fibromialgia secundária como consequência da doença.  O Dr. Sam Donta também acredita que a doença de Lyme é um importante agente causador da fibromialgia e da fadiga crônica.

 

Mas, não há consenso. O Dr. Dr Mark J. Shaw diz que quase toda a população mostra provas de ser portadora da Borrelia e seus subtipos, por isso não há dúvida de que a presença destes organismos não é a causa direta da fibromialgia e da fadiga crônica. Sua teoria é de que nos indivíduos com predisposição ela pode ser o gatilho e um fator de sustentação dessas doenças.

Supercrescimento bacteriano no intestino : Ver artigo original

 

 

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