POSSÍVEIS CAUSAS DA FIBROMIALGIA

INSUFICIÊNCIA MITOCONDRIAL (GLICÓLISE)

 

 

Segundo a Dr. Sarah Myhill, a fibromialgia é apenas um sintoma - significa apenas dor nos músculos.

 

Todas as células necessitam de energia para funcionar e há duas maneiras para obter essa energia:

Fosforilação oxidativa: Normalmente, a energia é fornecida pelas mitocôndrias na forma de ATP (trifosfato de adenosina), através desse processo que requer oxigênio e é extremamente eficiente. Essa é a forma com que a grande maioria da energia é produzida durante a maior parte do tempo.

 

Glicólise: Do ponto de vista evolutivo, esta é a maneira mais primitiva de fornecimento de energia. Ela não requer oxigênio, apenas açúcar. Esse processo é extremamente ineficiente e o resultado é a produção de grandes quantidades de ácido láctico. É este acúmulo de ácido láctico que causa dor, tristeza, sensação de cansaço, amortecimento dos músculos e dificuldades de movimento.

A Dr. Sarah suspeita que na fibromialgia, a produção de energia passa da forma mitocondrial (aeróbica) para glicólise (anaeróbica), produzindo muito ácido láctico e provocando dor muscular imediata.

 

Quando pessoas saudáveis sentem dor e diminuem o ritmo ou param uma atividade física, as células voltam para o metabolismo aeróbico e o ácido lático é rapidamente eliminado pelo organismo. Por alguma razão, isso não parece ocorrer na fibromialgia e o paciente é completamente paralisado pela incapacidade de se mover, o ácido láctico queima e, possivelmente ocorrem danos secundários, como a quebra da matriz de colágeno que mantém as células unidas. Isso quer dizer que o ácido láctico pode causar rasgos musculares microscópicos, que se apresentam como áreas de ferimento e que desencadeiam um processo de cura e reparação através do sistema imunológico. Haveria também uma liberação excessiva de radicais livres como resultado dessa reparação. Isto pode causar mais danos musculares e, em pessoas com sistema antioxidante pobre, há uma ampliação do processo. Algumas pessoas se beneficiam da utilização da vitamina B12, possivelmente porque ela age como um “limpador” de radicais livres.

 

 

O que provoca a mudança da fosforilação oxidativa para a glicólise?

 

Insuficiência mitocondrial: É a razão mais óbvia. Se as mitocôndrias não podem fornecer energia suficiente para as células, o processo muda para glicólise, com um consequente acúmulo de ácido láctico. Existem muitas causas para insuficiência mitocondrial:

Falta de nutrientes: D-ribose, magnésio , vitamina B3, coenzima Q10 e acetil L-carnitina.

 

Estresse oxidativo: Bloqueia a fosforilação oxidativa, ou a função da proteína translocase de nucleotideos de adenina

(proteína mediadora do transporte de ATP para fora da célula e extraordinariamente hepatotóxica)

 

Baixos índices de antioxidante: Assim as mitocôndrias são danificadas pela atividade bioquímica.

 

Baixos níveis de hormônios: da tireóide ou da supra-renal.

Falta de oxigênio para os músculos: Recentemente, John Yudkin demonstrou que quando os níveis de açúcar no sangue são demasiado elevados, o organismo inibe o fornecimento de sangue para os músculos. Isso protege os músculos dos danos que o açúcar pode causar, mas restringe a oferta de oxigênio para o mesmo. Portanto ela sugere que as dietas ricas em carboidratos ou açúcares são um fator de risco para a fibromialgia.

 

Exercícios: Os músculos são órgãos extremamente dinâmicos. Um mecanismo de contração muscular e relaxamento, alternados, é o responsável pela circulação do sangue através do músculo. Esse processo ocorre de forma muito clara nos exercícios físicos e significa que os músculos estão sendo trabalhados. Isso é essencial para o bom suprimento de sangue e eliminação de toxinas como o ácido lático, que inevitavelmente se acumula quando os músculos estão sendo exigidos.

O problema para as pessoas com fadiga crônica é que elas não têm energia suficiente para se exercitar e, portanto, trazer um suprimento sanguíneo adequado para os seus músculos e isso causa problemas musculares. Por exemplo, se há acúmulo de toxinas no músculo, sua resposta reflexa é entrar em espasmo. Se o músculo entra em espasmo e permanece em espasmo (ou seja, uma cãibra), então a circulação é ainda mais comprometida e há uma rápida acumulação de metabólitos tóxicos, o que causa mais dor e mais espasmo.

 

O Ciclo de Cori: Na conversão da glicose em ácido láctico, duas moléculas de ATP são produzidas. Para se livrar do ácido lático ele deve ser convertidos novamente em glicose, mas isso requer quatro moléculas de ATP. Quando a energia sob a forma de ATP é escassa, o ácido láctico se mantém por mais tempo e é mais prejudicial.

 

O Tratamento da insuficiência mitocondrial é simples, mas demora meses para responder:

Dieta pobre em carboidratos e açúcar: As calorias devem vir de proteínas, gorduras e hidratos de carbono complexos. Comer açúcar fornece substrato imediato para a glicólise.

 

Quando o músculo está em espasmo agudo e em dor, a pior coisa que você pode fazer é exercício físico. No entanto, o músculo requer a circulação de sangue para sua reparação e isto pode ser incentivada por relaxantes musculares, por minerais (desequilíbrio de magnésio, cálcio, sódio e potássio pode causar uma tendência a cãibras musculares e espasmo), por calor e por massagem ou tonificação. Analgésicos podem ser úteis, porque o espasmo muscular é a resposta do organismo à dor.

 

No entanto, se o músculo está completamente bem e não dói, ele deve ser exercitado com cuidado em uma base diária. Obviamente, se a dor aparecer você deve parar ou simplesmente tornará a situação muito pior. Trabalhar diariamente seus músculos de forma suave, melhora a circulação e ajuda limpar os metabólitos tóxicos que provocam problemas citados. No entanto, não se deve usar analgésicos para permitir a execução do exercício, pois isso pode piorar seu estado.

 

Melhorar a capacidade antioxidante: Assim que o músculo começa a se tornar dolorido e a liberar metabólitos tóxicos acontece a lesão muscular secundária pelos radicais livres. Um organismo com bom índice de antioxidantes ajuda na proteção contra esses danos secundários. Os antioxidantes mais comuns para se controlar são: Coenzima Q10, glutationa peroxidase e superóxido dismutase.

 

Extraído do artigo: Fibromialgia - Possíveis causas e implicações para o tratamento – por Dra. Sarah Myhill - fevereiro de 2007.

 

 

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