POSSÍVEIS CAUSAS DA FIBROMIALGIA

DISTÚRBIOS DO SONO

 

 

Apesar de já ter sido visto como um sintoma da fibromialgia, os distúrbios do sono passam a ser considerados como uma possível causa, já que podem impedir a reparação de músculos e nervos.

 

O estudo do sono na fibromialgia recebeu especial destaque a partir da década de 70, uma vez que substâncias endógenas, possivelmente relacionadas com dores musculoesqueléticas como a serotonina, as catecolaminas (adrenalina, noradrenalina e dopamina), o cortisol, a prostaglandina-E2 e a interleucina-1 acham-se envolvidas no ciclo vigília-sono.

 

Em 1973, os pesquisadores P. Hauri e D. R. Hawkins, relataram a intrusão de ondas alfa durante os estágios 2, 3 e 4 do sono e denominaram este fenômeno de padrão alfa-delta.

Padrão alfa-delta: É considerado como indicativo de distúrbio do despertar fisiológico e referido pelos pacientes como um estado de vigília durante o sono, ou como um sono não restaurador e superficial, durante o qual ocorrem despertares frente a leves estímulos. Essas alterações foram associadas à fadiga e dores generalizadas.

Em 1975, dois médicos e pesquisadores do Canadá, Harvey Moldofsky e Hugh Smythe, desenvolveram uma pesquisa que envolveu despertar pessoas saudáveis e perturbar o seu padrão normal de sono, quando elas entravam no estágio 4. Verificou-se que esses indivíduos, mesmo saudáveis, desenvolveram os sintomas da fibromialgia e que os mesmos regrediram quando eles puderam voltar a dormir sem perturbações. O resultado leva a crer que essas perturbações podem favorecer as manifestações fibromiálgicas em indivíduos predispostos sob o ponto de vista genético ou neuroendócrino. Além disso, eles também relataram que pacientes com fibromialgia não só apresentaram alterações no sono, mas também dos ritmos circadianos, afetando os períodos de vigília.

Transtornos do sono relacionados ao ritmo circadiano: Esses transtornos se manifestam por um desalinhamento entre o período do sono e o ambiente físico e social de 24 horas. Os dois transtornos mais comuns relacionados ao ritmo circadiano são o da fase atrasada (comum em adolescentes) e avançada do sono (comum em idosos), situações nas quais o período de sono se desloca para mais tarde e mais cedo, respectivamente.

Fase atrasada do sono - Este transtorno se caracteriza por dormir e acordar mais tarde que a maioria, geralmente com atraso de mais de 2 horas dos horários convencionais ou socialmente aceitáveis. O paciente tem dificuldade para iniciar o sono e prefere acordar mais tarde. Com exceção do horário atrasado, seu sono é normal. História familiar pode estar presente em até 40% dos indivíduos com fase atrasada.

Fase avançada do sono - A característica deste transtorno é dormir e acordar mais cedo, geralmente com avanço de várias horas em relação aos horários convencionais ou socialmente aceitáveis. Os pacientes queixam-se de sonolência no final da tarde ou início da noite, bem como de despertar espontâneo e precoce pela manhã.

A constatação que indivíduos com fibromialgia apresentam alterações no ciclo vigília-sono deu margem a estudos sobre a alteração dos ritmos biológicos, como o da secreção dos neuro-hormônios cortisol, serotonina, prolactina e somatomedina-C. Em 1992, R. M. BENNET apontou baixos níveis séricos de somatomedina-C em pacientes com fibromialgia.

Somatomedina-C (ou IGF-1): É um peptídeo produzido principalmente no fígado por estímulo do hormônio do crescimento, que apresenta ação anabolizante sobre o tecido muscular, promovendo o crescimento de ossos e músculos e a regeneração de tecidos. 90% de sua liberação ocorre durante a fase 4 do sono. Como os pacientes de fibromialgia não conseguem um sono profundo, os níveis de somatomedina-C se tornam baixos, e em níveis baixos provoca falta da energia, fraqueza muscular, intolerância ao frio e problemas cognitivos.

Um estudo de 2004, publicado na revista Rheumatology, apontou que os pacientes com fibromialgia apresentam taxas mais rápidas do Padrão Alternante Cíclico do Sono (CAP), que produz comprometimento significativo do sono. Os investigadores concluíram essa taxa aumentada leva a problemas graves do sono que pioram os sintomas da fibromialgia. Estudos anteriores também sugerem que o CAP pode estar relacionado com a síndrome das pernas inquietas. Pessoas com fibromialgia têm síndrome das pernas inquietas, movimentos periódicos de pernas e distúrbios respiratórios do sono em índices superiores à média da população.

Padrão Alternante Cíclico do Sono: É um ritmo fisiológico do sono não REM, que corresponde aos períodos de ativação cíclica, expressos por eventos fásicos do sono. O aumento na expressão de taxa do CAP tem sido considerado uma medida de instabilidade e fragmentação do sono.

Também em 2004 foi publicado na revista especializada Sleep um trabalho demonstrando que distúrbios respiratórios do sono, especificamente a limitação do fluxo aéreo inspiratório, são comuns em mulheres com fibromialgia. Nessa mesma linha, outros pesquisadores têm demonstrado uma associação entre a fibromialgia, a síndrome da resistência das vias aéreas superiores (SRVAS) ou a apnéia obstrutiva do sono. Frequentemente esses problemas não são detectados por técnicas convencionais de monitoração do sono.

Síndrome da resistência das vias aéreas superiores (SRVAS): É o resultado do relaxamento da musculatura da faringe e da obstrução parcial das vias aéreas superiores durante o sono. A obstrução nasal parcial levará a um aumento da velocidade do ar e produzirá ressecamento das mucosas e ronco, além de obrigar o paciente a dormir de boca aberta produzindo sintomas faríngeos e favorecendo o despertar.

 

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