USANDO O MAGNETISMO PARA APLICAÇÃO DE MEDICAMENTOS

 

 

Muitas condições médicas, tais como dor crônica, câncer e diabetes, requerem medicamentos que não podem ser tomados por via oral, mas devem ser administrados de forma intermitente, de acordo com a necessidade, por um longo período de tempo.

 

Pesquisadores liderados pelo Dr. Daniel Kohane, do Children's Hospital Boston, financiado pelo National Institutes of Health, conceberam uma solução que combina o magnetismo com nanotecnologia.

 

A equipe criou um pequeno dispositivo implantável, com menos de meia polegada de diâmetro, que encapsula a droga em uma membrana especialmente projetada e incorpora nanopartículas de um composto de magnetita (mineral com propriedades magnéticas naturais).

 

Quando um campo magnético é ligado fora do corpo e perto do dispositivo, as nanopartículas de magnetita se aquecem e abrem espaços (“poros”) na membrana. Isso torna a membrana permeável e permite que a droga passe para o organismo. Quando a força magnética externa é desligada, as nanopartículas resfriam e os poros se fecham, interrompendo o fornecimento do medicamento.

 

O dispositivo que a equipe do Dr. Kohane continua a desenvolver para uso clínico, foi descrito na revista “Nano Letters”, publicada em 8 de setembro de 2009.

       

“Um dispositivo deste tipo permitiria aos pacientes e seus médicos determinar exatamente quando as drogas devem ser administradas e em quais quantidades”, diz o Dr. Kohane, que dirige o Laboratory for Biomaterials and Drug Delivery in the Department of Anesthesiology at Children's.

 

Em experimentos com animais, as membranas permaneceram funcionais ao longo de múltiplos ciclos. A quantidade de medicação aplicada foi controlada pelo tempo com que se manteve o dispositivo “ligado”, e a taxa de liberação manteve-se estável, mesmo 45 dias após a sua implantação.

 

Testes indicaram que o dispositivo pode ser ligado de 1 a 2 minutos antes da liberação da droga, e desativada com um atraso de 5 a 10 minutos. As membranas permaneceram mecanicamente estáveis em testes de tração e compressão, indicando a sua durabilidade, não mostrou toxicidade para as células do corpo, e não foram rejeitadas pelos sistemas imunes dos animais. Os dispositivos são ativados por temperaturas superiores a temperatura normal do corpo, por isso não seriam afetados pelo calor causado por febre ou inflamação.

 

"Esta nova abordagem para administração de medicamentos, através da engenharia de nanopartículas inteligentes aparece para superar uma série de limitações que enfrentam os métodos atuais”, diz Dr. Alison Cole, que supervisiona o setor de anestesia do National Institutes of National Institute of Health General Medical Sciences (NIGMS). "Apesar de ainda um pouco distante para uso em humanos, essa tecnologia tem o potencial para fornecer um mecanismo preciso, repetitivo e de  longo prazo para a administração de drogas em uma série de aplicações médicas, incluindo a gestão da dor".

 

 

18 de setembro de 2009, Boston, Massachusetts

 

Texto Original: http://www.childrenshospital.org/newsroom/Site1339/mainpageS1339P1sublevel563.html

 

 

 

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