Ocitocina para tratamento de fibromialgia, autismo e disfunção sexual

 

Texto extraído do Jornal da Região Sudeste postado em 17/10/2012.

 

Uma das atrações internacionais do II Congresso Latino-Americano da World Society of Anti-Aging Medicine (WOSAAM), que acontece em São Paulo, de 19 a 21 de outubro, é o diretor médico do  Family Practices, em Hendersonville (EUA),  Jorge Flechas. Há quase 20 anos, ele estuda os benefícios do uso da ocitocina em pacientes com fibromialgia, disfunção sexual e crianças com autismo. Os resultados desses estudos serão apresentados em palestra que ocorre no dia 21 de outubro. O especialista garante: “bastam apenas alguns minutos para aparecerem os primeiros resultados positivos da ocitocina no combate à fibromialgia. No tratamento do autismo, a melhora pode ser percebida algumas horas após o início do tratamento, principalmente no que se refere aos distúrbios da fala. Em relação às alterações de personalidade, a melhora é constatada em apenas um mês de tratamento”.

 

Formado em Medicina pela Southern Missionary College, Tennessee (EUA), doutor em Medicina e mestre em Saúde Pública pela Universidade de Loma Linda, Califórnia (EUA), o Dr. Flechas defende que a falta de ocitocina no corpo humano está intimamente ligada ao aumento do risco de doenças não somente como o autismo, mas problemas de tireoide, depressão, AIDS, esclerose múltipla, fibromialgia, Parkinson, distúrbios de ansiedade, e até mesmo alguns tipos de esquizofrenia. Segundo ele, a ocitocina, conhecida como o hormônio da felicidade, quando administrada a partir de uma fonte externa, diminui a produção de cortisol – quanto mais ocitocina, menos cortisol é produzido pelas glândulas suprarrenais.

 

As propriedades da ocitocina vão muito mais além. A equipe do Dr. Flechas descobriu que este é o hormônio que controla a capacidade das mulheres de terem orgasmos múltiplos. “No tratamento de mulheres com disfunções sexuais, ficou evidente que apenas uma hora depois de expostas a ocitocina é possível elas terem um orgasmo intenso e três horas para que possam atingir orgasmos múltiplos”, disse. Dr. Flechas assegura que, para as mulheres, a ocitocina é muito melhor do que Viagra para os homens ou mesmo testosterona para homens e mulheres. “Há médicos ginecologistas no Brasil que tentaram isso com seus pacientes e me confidenciaram que a ocitocina funciona exatamente como aconteceu com nossos estudos fora do Brasil”, complementou.

 

“Em nossos estudos, ficou claro que a ocitocina reduz o estresse, contribui para o relaxamento e uma sensação de bem-estar, diminui a agressividade (mais em homens do que em mulheres) e a liberação de glicocorticóides, aumentando o processamento sensorial e o desejo. Consequentemente, ela ajuda no vínculo entre companheiros e entre pais e crianças”, explica Flechas. O médico afirma que, quando liberada de maneira pulsátil, permite as contrações uterinas durante o parto e as contrações do corpo durante o orgasmo. A ocitocina é a peça-chave no comportamento sexual e reprodutivo, uma vez que está presente desde o início do processo da paixão entre pares, passando pela concepção e pela sustentação de relacionamentos duradouros e benéficos. “É a ocitocina que responde pelas características de lealdade, confiança e devoção - ingredientes principais de um relacionamento feliz e gratificante. A ocitocina promove o comportamento afetuoso e, em alguns casos, tem sido associada à desordem obsessivo-compulsiva”, disse o estudioso.

 

A ocitocina é o hormônio sintetizado como o nono neuropeptídeo dentro dos núcleos dos neurônios do hipotálamo periventricular (PVN) e dos núcleos supraóticos (SON). Produzido em tecidos periféricos, entre eles, coração, placenta, testículos, corpo lúteo, glândulas suprarrenais e pâncreas, é sabido, há mais de vinte anos, que seus receptores são encontrados em várias áreas do cérebro, apesar de em maior concentração em algumas delas, como amígdala, hipocampo, septo e a área do tronco cerebral.  Outras partes do corpo humano também identificam a presença do hormônio, como rins, coração, timo, pâncreas. Sabe-se ainda que os axônios (parte do neurônio responsável pela condução dos impulsos elétricos do corpo celular a outro local mais distante, como um músculo ou outro neurônio) distribuem ocitocina a partir do hipotálamo para várias regiões do cérebro, tais como o tronco cerebral e as áreas da medula espinhal. São inúmeras suas funções:

 

- No cérebro do feto, ajuda uma mãe em trabalho de parto;

 

- Depois do nascimento, é a ocitocina da mãe que exerce importante função no processo de lactação;

 

- Em geral, atua no processamento da memória, na regulação da temperatura corporal, no controle da pressão sanguínea, no desenvolvimento do cérebro e no comportamento sexual.

 

- Estimula o pâncreas a produzir glucagon (hormônio que atua no metabolismo dos hidratos de carbono, cujo papel mais importante é o de aumentar a glicemia, contrapondo-se aos efeitos da insulina) e ajuda o controle dos açúcares no sangue;

 

- Auxilia na contração da próstata, no momento de um orgasmo;

 

- Pode imitar o funcionamento de alguns hormônios, como num mimetismo celular. Por exemplo, atua como insulina, arginina (para vasodilatação dos vasos sanguíneos no interior do cérebro, ou ainda como um opioide, que ajuda o sistema nervoso central a acabar com a dor).

 

O II Congresso Latino-Americano da WOSAAM acontecerá no WTC Convention Center, centro de convenções que faz parte do complexo World Trade Center, localizado na Avenida das Nações Unidas, no Brooklin Novo, na Zona Sul da capital paulista. Seu objetivo principal é proporcionar aos profissionais de Saúde do Brasil e outros países da América Latina a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre os avanços da medicina preventiva e sua contribuição para uma longevidade saudável. O programa científico do evento foi elaborado para abranger áreas multidisciplinares e complementares de medicina, como cardiologia, ginecologia, urologia, neurologia, oncologia, medicina estética, biologia molecular, genética, biotecnologia, e nutrição, entre outras. Por isso, paralelamente a ele serão realizados o VI Simpósio Internacional de Fisiologia Hormonal e Longevidade, e o I Workshop de Nutrição Bioquímico Fisiológica.

 

Texto Original: http://www.jornaldaregiaosudeste.com.br/noticias/ocitocina-para-tratamento-de-fibromialgia--autismo-e-disfuncao-sexual

 

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